Et Dieu... créa la femme

As fotos de Et Dieu... créa la femme foram realizadas em parceiria com o fotógrafo Eduardo Carneiro e com o beauty artist Jorginho Goulart. Fazer fotos de moda é sempre exercitar o belo, o que para mim é um bocado transcendente. Contar com o trabalho de profissionais torna fácil a realização da idéia primal, que também foi executada com primor pelas modelos Gabriela Rhein (Way), Giovanna Araújo (SUPER) e Valentina Asmus (TRUST).

O título do editorial, trazido do filme de 1956 de Roger Vadim, é apenas mais uma dentre tantas elegias.

Fotos: Eduardo Carneiro.
Styling: Helen Rödel.
Modelos: Valentina Asmus (TRUST), Giovanna Araújo (SUPER), Gabriela Rhein (WAY).
Beauty: Jorginho Goulart.

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2009  crochet  eduardo carneiro  estudio  flickr  fotos  rodella  vestidos 


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Mag! - Clipping Entrevista

Clipping Clipping Clipping

A revista editada por Paulo Borges, ffw MAG!, é a publicação mais interessante já criada no Brasil, em termos de moda, cultura, realidade e pensamento. Ela é fresca e comprometida, ela é substanciosa e bela. Ela é real e tem um peso antropológico imprescindível de se ver nos estudos que circundam a moda. Ela é monolítica a medida em que se propõe edições temáticas vistas por olhos de mosca, de muitos viéses. Ela disseca regida pela precisão dos bons pensadores.

Como não me honrar sobremaneira estando com minha face, meus pensamentos e os olhares de Guilherme impressos nela? Ademir Correa foi quem conduziu desafiadoramente a matéria. Renata Mein, a odara. Abaixo, na íntegra, nossas respostas à MAG!

1) Nome (artístico) da marca e dos envolvidos nela:

Rödel LA Guilherme Thofehrn Helen Rödel

2) Idade (artística):

Guilherme, 27 anos Helen, 26 anos

3) De onde vieram?

Guilherme, Porto Alegre Helen, Lajeado, RS

4) Onde já chegaram?

No Iceland Fashion Week.

5) Para onde vão?

Sempre para o interior, onde cabe mais expansão. Interior do âmago do cume do cerne do ser, interior da terra e do céu, interior das pessoas. Essas perguntas transforman nossos cérebros na luz que incide no prisma da capa do Dark Side, do Floyd.

6) ARTISTICAMENTE, COMO VOCÊS SE DEFINEM?

Somos bastante institivos. Mas a isso aplicamos a melhor técnica de que dispomos. E também somos inquietos e curiosos, e quase que insatisfeitos, algo como não caber em si tamanha a vontade, caminho longo ao oriente. E são tantas vontades. Fazemos praticamente tudo à quatro mãos. O espírito, desde o início, foi o "do it yourself" mas é trasnformador dividir a arte entre pessoas que têm gana dela.

7) E CRIATIVAMENTE, COMO VOCÊ SE DEFINEM?

Livres.

8) NA OPINIÃO DE VOCÊS, QUE ARTISTAS DIALOGAM COM A MESMA PROPOSTA DA RÖDEL LA?

Brian Ferry Brian Eno, Cocteau Twins, Love, Velvet Underground, Caetano, Can e David Bowie.

9) COMO VOCÊS VÊEM A MARCA?

Vemos a marca como vemos a nós. Em tudo o que fizemos estão nossas crenças, o que acreditamos por belo, o nosso belo. Fazemos moda com virtudes universais, no sentido de que somos humanos e que estamos no mundo e que não há fronteiras, sabe, ser terráquio e humano antes de sermos brasileiros, mas cientes de que o Brasil está em nós. É cristalino em nosso trabalho o trânsito livre entre o meio rural e o urbano. Vivemos na urbe, mas somos naturais, precisamos de campos e florestas. Estas são as nossas máximas. Nos sentimos livres para criar o que pensamos ser o mais belo agora a partir do que está introjetado e transformado em nós, as experienciações cotidianas, como sempre, e também as de natureza divina. É, as coleções espelham muito isso, nossas vontades de vida.

10) PRA VOCÊS, É UMA FUNÇÃO DA ARTE RESSIGNIFICAR O MUNDO EM QUE VIVEMOS?

Cremos que sim, mas isso é instrínseco à arte, não algo que se racionalize, necessariamente. Um artista pensa de dentro para fora, mas dentro está tudo o que está à sua volta, mesmo a suprarealidade, a realidade de sonho.

11) QUANDO A MODA É ARTE? E QUANDO ELA É CONSUMO? OU É IMPOSSÍVEL DISCERNIR?

Não, achamos que é possível discernir, mas muito, também, a partir de perspectivas pessoais. Acreditamos sim, que moda possa ser arte, mas isso está na cabeça de quem faz, na intenção e no trabalho.

12) POR SER UM TRABALHO PRIMEIRAMENTE MUITO PESSOAL, COMO UM ARTISTA PODE FAZER COM QUE SUA FORMA DE EXPRESSÃO SE COMUNIQUE COM O PÚBLICO?

Para nós os maiores artistas do mundo foram ou são os que exploraram ou exploram o seu âmago, e que são francos também ao fingir, Fernando Pessoa já nos disse isso, e comprovamos. Vasculhe a si para entender o mundo. Há algo de tão sagrado em nós que nos assemelha ao resto do mundo e ao mesmo tempo nos unifica como indivíduos. Acreditamos que já nascemos com todos os sentimentos humanos em nós, e à medida que atravessamos a vida eles vão sendo despertados. Agora, alcançar o sucesso (me refiro a construir algo, se fazer entender e ter relevância no tempo e no espaço) parace estar ligado a fatores que por vezes não estão nas mãos dos artistas.

13) VOCÊS CONSEGUEM EXPLICAR O MUNDO QUE CRIAM COM SUAS COLEÇÕES? NUM PRIMEIRO MOMENTO, QUE REFLEXÕES VOCÊS ACREDITAM QUE PROPONHAM ATRAVÉS DA MODA?

Nós valorizamos muito o trabalho artesanal. Trazer o crochet quase como uma bandeira e se propor a dar novas vistas (as nossas vistas) a uma técnica antiga e bastante difundida no Brasil tem sido um desafio estupendo. Disassociar a técnica das velhas escolas do crochet que fazemos é uma das coisas que propomos. Outra é algo de forte raiz pagã, é a crença no ser natural, a consciência de onde viemos, para onde vamos e que nos ajuda fortemente a estar no mundo, entendê-lo e a nos relacionarmos com as pessoas.

14) O ESCRITOR E POETA NORTE-AMERICANO EZRA POUND AFIRMAVA QUE ARTISTAS SÃO A “ANTENA DA RAÇA”, COM A FUNÇÃO DE ANTECIPAR O TEMPO. O QUE ACHA DESSA AFIRMAÇÃO?

Acho-a limitada, a menos que "artistas" abarque sábios, cientistas, religiosos, inquietos, curiosos, sensíveis, amorosos, os pagãos, os loucos e os sãos. As teias do pensamento e da comunicação são tão finas, extensas e onipresentes que não se pode dar o cetro a ninguém, é uma construção da massa. É o ar. Artistas podem ter o poder de tornar público e de dar forma a isso.

15) A MODA TAMBÉM PODE SER VISTA COMO ALIENAÇÃO? POR QUÊ?

A moda só será alienação se dominar o corpo e a mente da pessoa e se for vista de forma imediata.

16) A FORMA COMO VOCÊS SE EXPRESSAM TAMBÉM PODE SER CONSIDERADA UMA FUGA DA REALIDADE? POR QUÊ?

Não, porque na fuga se cria uma nova realidade. E realidade, o que é realidade senão toda a tua mente presente (meus caros niilistas), também mãe de toda fantasia? Nossa coleção do inverno de 2008 se chamava Reality Is Forbidden, e essa realidade proibida nada mais era do que despir o corpo e a mente de artifícios e fazê-los confrontar-se com a sua própria verdade, em exercício de criação de uma nova realidade.

17) COMO UMA PESSOA QUE LIDA COM A CRIATIVIDADE, VOCÊS SE CONSIDERAM PORTA-VOZES DESSA ÉPOCA? E DE QUE FORMA DIALOGAM COM ESSE TEMPO?

Claro, somos porta-vozes desta época, sim. Mas isso é tão natural. Somos agora. Dialogamos com esse tempo vivendo-o. Nossas referências podem estar no passado e no futuro, mas o presente é o cume.

18) SUA ARTE, E A FORMA COMO VOCÊS SE EXPRESSAM, EXISTIRIAM SEM OS MEIOS VIRTUAIS DE PROPAGAÇÃO DE IDEIAS E INFORMAÇÕES? POR QUÊ?

Existiram sim. As roupas e as imagens que criamos antecedem a sua comunicação. São algo bastante concreto. Claro, desde o princípio, acreditamos na internet como a ferramenta do século. Ela tanto pode ser um pântano como uma galáxia. Escolhemos pertencer à galáxia e isto nos levou a usá-la da melhor maneira, inclusive criando novas formas de apresentar a Rödel LA, sendo em diálogos com quem se faz presente nesse mundo que nem é mais virtual ou repartindo nosso pão (nossas roupas) com pessoas que querem recheá-lo com seus sabores (me refiro ao projeto Flickr Gals, em que convidamos garotas do mundo todo a se retrarem com suas roupas Rödel LA, registrando a diversidade de gostos, belezas e realidades). A internet dilui as fronteiras de território aproximando as culturas, que são irmãs. Isso é fabuloso. Particularmente, não gostamos de fronteiras políticas e essa dificuldade burocrática de transitar pela terra.

19) OUTROS ARTISTAS MUDARAM SUAS VIDAS, SUAS PERCEPÇÕES DE MUNDO E A FORMA COMO VOCÊS ENCARAM SUA TRAJETÓRIA? E QUEM SÃO ELES?

David Bowie em nome dos espaciais e exatos, Can em nome dos selvagens e primais, Sergei Eisenstein em nome dos dramáticos grandiosos, Jorge Ben em nome das tábuas de esmeraldas, Caetano Veloso em nome das jóias, dos bichos e dos raros, Fellini em nome dos circenses, Geraldo de Barros em nome dos concretos, Rimbaud em nome dos extremados, Surf's up (Beach Boys), Dylan em nome dos geysers, Renan Machado em nome dos apoteóticos, C. Lispector em nome dos herméticos e calados, Maria Bethânia em nome dos cristalinos e místicos, Klimt em nome das mulheres, Monet em nome dos impressionistas.

20) UMA PESSOA QUE TÊM DONS ARTÍSTICOS CLAROS, E QUE SE EXPRESSA DE UMA FORMA ARTÍSTICA TEM UM COMPROMISSO DE FAZER SENTIDO AOS OUTROS? OU APENAS A SI MESMO?

Ser fiel a si e às suas vontades aproxima o artista das pessoas. Compromisso, não acreditamos nisso. A arte pede ao artista a forma mais pura e bela (a beleza aqui pode tanto ser a insquestionável quanto a contraditória) de seu pensamento. O único compromisso que todo indivíduo tem no mundo é ser cordial, não ter preconceitos, expandir o amor, e ser justo e compreensivo. Mas abra a paleta de cores de cada um desses conceitos.

21) COMO REPRESENTAR ANSEIOS ARTÍSTICOS INDIVIDUAIS ATRAVÉS DA MODA?

As possibilidades são infinitas, uma vez que se trabalha com imagens, cores, formas e texturas. Vestir o corpo humano pode ser transcendente.

20) JÁ EXISTE ESPAÇO NA MODA BRASILEIRA PARA SER AUTORAL?

No Brasil só não é difícil ser brasileiro. Mas também nunca ninguém ousou dizer que viver seria fácil. Pensem no Brasil quando tudo era mata. Como somos de ascendência alemã, conhecemos bem as histórias dos primeiros imigrantes que chegaram aqui e foram engolidos pelo verde e pelo vazio demográfico. Eles abriram picadas nas matas densas e construiram cidades. Vejo assim o trabalho da moda autoral no Brasil, braços fortes, cabeça focada e coração sagrado.

23) TODOS OS PROCESSOS DA MARCA - CRIAÇÃO, DESENHOS, FOTOS, EDITORIAIS - SÃO ACOMPANHADOS DE PERTO POR VOCÊS?

Todos são feitos por nós dois, com excessão do tecimento das roupas. As fotos que retratam as coleções são feitas por Guilherme e a "modelo" tem sido eu mesma, uma vez que neste momento ofertarmos o máximo de nossa visão.

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2009  clipping  entrevista  helen  revista 


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Criaturas - Clipping

Por Mariana Molinos, editorial em que são revisitados alguns personagens da icônica Factory. Produção de Elene Brandão com peças e acessórios Rödel LA, para a revista Void #53.

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2009  clipping  editorial  fotos  void 


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Asian!

Depois de escolhermos 5 garotas ao redor do mundo, Polônia, Suécia, Chile, EUA e Áustria, para que usassem as suas realidades e suas belezas para produzir imagens com suas peças Rödel LA, decidimos que a vez é das asiáticas. Para selecionamos duas. Gabrielle Hennessey tem 22 anos, é designer de moda em Nova Iorque mas nasceu em Andong City, Coréia do Sul. Ela se mostra, por vezes com certa melancolia, através de suas peças de roupas, seus escritos existenciais, de seus sinceros auto-retratos e de seus desenhos, que sempre me tocam delicadamente.

Winifred Ng é estudante em Perth, Austrália, tem 19 anos e é uma boneca oriental. Como muitos garotos e garotas em todo o mundo, Wini é parte do fenômeno do auto-retrato e da construção da personalidade por meio da moda (lembrando que a moda, por sua vez, também se alimenta dessa juventude), instaurados por plataformas como o site lookbook.nu, justamente onde a encontramos e onde tem enorme popularidade.

Gabrielle usa o sweater Gebo II e Wini, o sweater Equator, peças esgotadas da coleção Reality is Forbidden.

Gabrielle Hennessey
Winifred Ng
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2009  flickr gals  sweaters  sweters 


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Top 7 FFFFound!

O site FFFFound!, para quem ainda não o conhece, é formado por uma rede fechada de pessoas que postam unicamente imagens para que os demais usuários possam adicioná-las como favoritas. Há apenas um requisito: a imagem precisa explodir seu olho, ser linda, curiosa, ou simplismente bizarra.

A partir destas escolhas aparentemente aleatórias, cria-se uma conexão entre pessoas e imagens por interesses estéticos. A brincadeira/vício é ir favoritando fotos para que o site possa sugerir imagens que você provavelmente gostará, mas que talvez nunca fosse se deparar na vida.

Todo esse compartilhamento de gostos se mostrou um excelente meio para acompanhar como nossas fotos (que lá foram parar) se movimentam neste espaço tão orgânico e extremamente democrático, através da “popularidade”.

Tivemos algumas surpresas, mas foi bom perceber que aquelas que eram realmente as que mais gostávamos foram as que tiveram melhor êxito.

E cá estão as sete mais da Rödel LA no FFFFound!:

Reality is Forbidden Journey to the East Reality is Forbidden Great Expectations Reality is Forbidden Great Expectations Futurística
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ffffound! internet fotos 


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O cinema prolonga a morte. Estas imagens estarão eternas. Além da morte.

Helen e eu selecionamos aqueles que achamos os melhores frames do filme Terra em Transe, escrito e dirigido pelo cineasta baiano Glauber Rocha entre os anos de 1966 e 1967 no Brasil, retratando o cenário político da América Latina pré-ditaduras. Uma amostra do fantástico cinema produzido no Brasil. E é bem provável que estes sejam os primeiros de uns tantos outros frames de filme por nós selecionados.

Começamos por Terra em transe porque este filme representa o verdadeiro descobrimento do Brasil no cinema. Alegórico, existencial e apocalíptico, põe a moral na balança e ela assim jaz:

Estou morrendo agora nesta hora estou morrendo neste tempo estou correndo meu sangue minhas lágrimas, ah Sara... todos vão dizer que sempre fui um louco, um romântico, uma anarquista, que sempre... Ah não sei Sara...

O título do post são algumas frases de Glauber acerca do filme.

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brasil  cinema  frames  inspiracao 


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Tuti+Yew+Zooropa

Tuti, nossa cameo, eterno rosto intergaláctico da Rödel LA, aparece aqui com seu sweater Yew, da coleção Reality Is Forbidden, cansada e contemplativa no trem, em algum lugar do trecho Amsterdam-Berlim. E ao seu lado, o real cameo, tão verde quanto seu coração, do Zoológico de Berlim. Me contou ela que a trilha da viagem foi o caríssimo Vienna do Ultravox. E, dia 31 de janeiro a Tuti completa 10 mil dias de vida. Sigo com ela nos próximos 250 mil. Go with the flow, highlander!

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alemanha  amigos  reality is forbidden  tuti  ultravox 


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Prosit

Estes dois sites altamente recomendados também brindaram a Coleção ASTRO (verão 2008/2009).



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2009  astro  blog  clipping 


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